quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O beijo e o vinho


"Tu te lembras, estouvada,
quando, sem modos, sem pejo,
enchendo a boca de vinho,
passaste, de vagarinho,
à minha boca, num beijo?
Achei a idéia engraçada
E original o manejo:
A tua boca encarnada,
A me beijar, de mansinho,
sorrindo pelo meu beijo,
toda manchada de vinho...
Desde esse dia eu não vejo,
para minh'alma embriagada,
outra boca em meu caminho.
A causa, entretanto, estouvada,
dessa embriaguez de desejo,
mais doce que o teu carinho,
não pude ter decifrada:
- Não sei se foi o teu beijo...
- Não sei se foi o teu vinho..."

(Luiz Edmundo)